Mobilização na escadaria do Palácio Anchieta reuniu sindicatos do setor contra o transporte de armas para zonas de conflito e em defesa dos empregos diante da automação.
Em sintonia com uma mobilização global que alcançou quase 100 portos espalhados por quatro continentes, os trabalhadores portuários do Espírito Santo realizaram um manifesto nesta sexta-feira (30 de outubro) na escadaria do Palácio Anchieta, no Centro de Vitória.
Com vista para o Porto de Vitória, a ação reuniu lideranças sindicais, representantes de centrais e trabalhadores do setor em defesa da paz mundial, da garantia de empregos dignos e contra a precarização provocada pelo avanço desordenado da automação.
O ato local foi articulado pela Intersindical da Orla Portuária do Espírito Santo, entidade que congrega sete sindicatos da categoria no estado. A iniciativa integra a jornada internacional de lutas contra o uso de infraestruturas portuárias para o embarque e transporte de armas destinadas a guerras e genocídios, com destaque para a solidariedade ao povo palestino e o repúdio aos bloqueios econômicos imperialistas.
Além das pautas geopolíticas e da defesa dos direitos humanos, a categoria alerta para os impactos diretos que as novas tecnologias e a inteligência artificial trazem para as rotinas operacionais e administrativas dos portos.
Os trabalhadores reivindicam que a modernização tecnológica do setor seja acompanhada de negociações coletivas, formação profissional, redução da jornada e rigor no cumprimento das normas de saúde e segurança, como a NR 29.
Durante o ato em Vitória, José Adilson Pereira, que é presidente da Intersindical da Orla Portuária e da Federação Nacional dos Estivadores (FNE) e vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviário e Aéreo, na Pesca e nos Portos (Conttmaf), reforçou o papel social e integrador das estruturas portuárias.
"Estamos hoje num dia mundial de mobilização de todos os trabalhadores portuários do mundo contra a guerra, contra o bloqueio imperialista, principalmente contra Cuba, e contra a militarização da economia, que afeta nossos salários, nosso custo de vida, nossos acordos coletivos, e afeta também a saúde e a educação dos trabalhadores do mundo e dos trabalhadores portuários. Os portos são portas para o mundo, pontes para integração, pontes para solidariedade, pontes para o desenvolvimento econômico, e não para a morte e para a guerra. Por isso, nós, trabalhadores portuários, temos a consciência que trabalhadores portuários não trabalham para a guerra!"
A mobilização no Espírito Santo contou com o apoio de frentes como a União Internacional dos Sindicatos de Transportes, Portos, Pesca e Comunicações (UIS-TPPC), Federação Sindical Mundial (FSM), da Federação Unitária de Transportes, Portos, Pesca e Telecomunicações das Américas (FUTAC), centrais como CTB e CUT, e federações nacionais da categoria (CONTTMAF, CNTTL, FNE, FNP e FENCCOVIB).