O plano de governo do candidato Flávio Bolsonaro tenta emplacar uma das maiores inversões da história recente do país: colocar os sindicatos como inimigos do povo trabalhador. Sob o cinismo de frases como “proteger quem trabalha”, o projeto político da extrema-direita busca destruir o único instrumento de organização e resistência que a classe trabalhadora possui contra a exploração patronal.
A tática é antiga, mas os danos são imediatos. Ao acusar a organização sindical de “monopólio” ou “corporativismo”, o objetivo não é dar voz ao trabalhador, mas sim deixá-lo sozinho e desarmado na mesa de negociação com o patrão. O que a extrema-direita chama de “modernização” nada mais é do que o desmonte das leis trabalhistas, o avanço da precarização e a imposição de jornadas sufocantes.
A prova de que esse discurso não passa de uma maquiagem para retirar direitos está na atuação política do grupo no Congresso Nacional:
• Defesa da escala 6x1: Enquanto alegam colocar "o trabalhador em primeiro lugar", atuam intensamente para barrar a aprovação do fim da escala 6x1, condenando milhões de brasileiros a trabalharem seis dias por semana para ter apenas um único dia de descanso.
• Precarização do trabalho por aplicativos: Tratam a uberização e a falta de garantias previdenciárias como "oportunidade de renda", rejeitando a regulamentação que garante direitos mínimos aos entregadores e motoristas.
• Ataque à negociação coletiva: Querem liquidar o princípio da prevalência do negociado coletivo forte, empurrando o trabalhador para contratos individuais onde ele não tem qualquer poder de escolha.
Inimigo do trabalhador não é quem organiza a luta por salários dignos, saúde e repouso semanal. O verdadeiro inimigo é a política que vota contra o descanso do trabalhador, nega direitos básicos e atua para perpetuar o esgotamento físico e mental da classe trabalhadora em nome do lucro irrestrito. Organizar o sindicato e defender a negociação coletiva é a única garantia de que nenhum direito a menos será aceito.