A rotina dos trabalhadores avulsos no Porto de Vitória tem sido marcada por constantes dificuldades operacionais, riscos à segurança e desgaste físico excessivo. Com o apoio da Intersindical Portuária, o Sindicato dos Estivadores — por meio dos seus diretores Alexandre Barcelos e Carlos Alberto Amorim (Bebeto) — vem cobrando uma solução efetiva e definitiva da concessionária Vports e das empresas operadoras sobre o acesso ao berço 206, área da antiga Peiú, agora Portmac.
A controvérsia gira em torno do descumprimento de compromissos acordados e da manutenção de restrições de acesso que prejudicam diretamente a categoria. Inicialmente, havia um compromisso de liberar a entrada dos trabalhadores pelo berço 905 enquanto a portaria do berço 206 aguardava a liberação alfandegária. No entanto, mesmo após a aprovação da Receita Federal para o funcionamento da portaria, os trabalhadores avulsos foram surpreendidos com uma nova determinação restritiva.
Segundo a Portmac, a nova portaria do berço 206 ficará destinada prioritariamente aos funcionários próprios da empresa, da Log Consulting e de empresas parceiras, enquanto os TPAs continuarão obrigados a utilizar exclusivamente o acesso pelo lado de Capuaba.
A decisão de concentrar o fluxo de TPAs na entrada de Capuaba vem provocando tumultos diários e sobrecarregando a infraestrutura da portaria. De acordo com a liderança sindical, a liberação do acesso pelo berço 206, em Paul, aliviaria de forma imediata o gargalo de pedestres e veículos, além de haver uma área de estacionamento que reduziria a superlotação na entrada principal.
Além dos entraves na portaria, a logística de deslocamento até as frentes de trabalho tornou-se um gargalo crítico. O ônibus disponibilizado pelo sindicato opera com superlotação constante, transportando passageiros em pé — conduta proibida pelas normas operacionais e de segurança do trabalho. Diante da falta de espaço no coletivo, muitos trabalhadores são forçados a realizar longos trechos a pé.
“A liberação do 206, por Paul, ajudaria a diminuir esse fluxo de pessoas e carros na portaria de Capuaba. Hoje, o cenário é de tumulto. O ônibus sai de lá lotado, com trabalhadores em pé, correndo riscos nas duas situações”, destacou Barcelos.
A limitação no acesso impacta diretamente a rotina de diversas funções operacionais:
A Intersindical Portuária está apoiando as cobranças da Estiva, reforçando que o acesso digno e seguro aos postos de trabalho é uma condição fundamental que afeta diretamente a saúde, a integridade física e a produtividade dos portuários.
“Entendemos que o acesso adequado ao local de trabalho é uma questão que precisa ser tratada com máxima seriedade, principalmente considerando as condições de trabalho, os deslocamentos durante os revezamentos e a segurança de todos. Por isso, solicitamos o apoio dos companheiros e das entidades para buscar, junto à Vports e às empresas envolvidas, uma solução definitiva. Esse é um problema que afeta diretamente os trabalhadores e não pode continuar sendo adiado”, finalizou Barcelos.
O assunto será levado como pauta prioritária nas próximas reuniões do setor portuário com a Vports, Portmac e demais entidades envolvidas.
Tumulto na entrada por Capuaba e ônibus lotado levando os trabalhadores.
Entrada da Portmac em Paul é alternativa para os trabalhadores acessarem o porto, além da região contar com vagas de estacionamento.