Sindicato dos Estivadores do Espírito Santo

Pilates do Sindicato dos Estivadores completa 1 ano transformando a saúde e a rotina dos associados

28/08/2026 às 10:31

Com mais de 1.400 aulas realizadas, o Programa Viva Bem Estiva quebra paradigmas, recupera a mobilidade de trabalhadores e garante até o retorno de estivadores aos porões.

O que começou com desconfiança e o velho mito de que “eu não preciso disso” tornou-se uma das maiores referências de prevenção, saúde e reabilitação física no meio portuário. Neste dia 28 de agosto, o pilates oferecido aos associados no Sindicato dos Estivadores celebra seu primeiro ano de atividades. Integrado ao projeto social Programa Viva Bem Estiva, o espaço já não é apenas uma opção de treino: virou motivo de orgulho, convivência e qualidade de vida para dezenas de estivadores.

Os números do primeiro ano impressionam e demonstram a solidez e a alta adesão da categoria. Desde o lançamento do projeto, 107 alunos já passaram pelo programa, sendo que 82 associados seguem atendidos atualmente. A rotina é intensa: são 30 aulas por semana, somando aproximadamente 120 aulas mensais. Para garantir um acompanhamento personalizado e atento às particularidades de cada estivador, a média é de apenas cinco alunos por turma. No total do período, já foram ministradas 1.440 aulas.

Além dos ganhos físicos diretos, a utilização da estrutura do sindicato também foi destacada como um acerto estratégico de gestão pelos próprios trabalhadores. O associado Ozimario Soares dos Santos, 50 anos, faz questão de ressaltar a inteligência da iniciativa ao dar vida nova à sede:

“Foi uma iniciativa estrategicamente brilhante do sindicato. Essas salas estavam devidamente ociosas e, atualmente, estão gerando um benefício enorme para os associados. Essa atividade trouxe excelentes ganhos para a minha saúde, inclusive para as atividades que exerço nas operações de estiva. Trouxe melhorias tanto para as funções no trabalho quanto para o meu dia a dia, aperfeiçoando a postura e garantindo mais flexibilidade nos movimentos corporais”, pontua Ozimario.

Formação técnica e acolhimento humano

À frente desse trabalho está o fisioterapeuta e instrutor Herwen Ribeiro. Ele relembra que o início exigiu paciência para desconstruir estigmas em uma categoria acostumada com o trabalho bruto e braçal.

“No início foi difícil, eles se fazem de durões. Mudar a concepção dos associados é incrível. Ver essa evolução é muito gratificante, mostra que estamos no caminho certo. É incrível vê-los elogiando o pilates e tendo a visão de que não é somente ‘empurrar a bola’, e sim um método que previne lesões e melhora a qualidade de vida. Hoje temos trabalhadores com menos dor, mais mobilidade, mais força e é o que buscamos. Como fisioterapeuta, esse é o maior retorno que posso ter: perceber que o cuidado está realmente fazendo diferença no dia a dia de cada um”, destaca o instrutor.

Herwen relata que as mudanças no ambiente de trabalho e nas tarefas diárias são tema constante nas conversas antes e depois das sessões. “Muitos não conseguiam nem andar de tanta dor. E hoje nem se lembram mais do que era dor. Todos os dias vejo relato da melhora da mobilidade, que estão subindo as escadas com mais facilidade. Fico muito feliz com esse sucesso. A camisa do pilates virou uma marca. Todo mundo usa”, comemora o fisioterapeuta.

Superação no porão

A evolução técnica e funcional é visível em diversos casos de sucesso acompanhados pela equipe do projeto. Histórias como a de Arlindo Borges, que chegou ao pilates utilizando muletas e com grande insegurança para caminhar. Com o fortalecimento e o trabalho de equilíbrio, Arlindo recuperou a confiança e, hoje, frequenta as aulas e se desloca sem a necessidade de qualquer dispositivo auxiliar de marcha.

Outro marco emocionante é o de José Mauro Julião, 74 anos. Associado com deficiência visual, ele estava bloqueado preventivamente pelo Ogmo. Após o acompanhamento contínuo no pilates, passou por uma reavaliação médica e pôde retornar ao trabalho. De volta à labuta, o companheiro tem recebido apenas elogios em relação à sua boa condição física.

A garra dos trabalhadores também ganha forma no exemplo de Waldyr Martins de Aguiar, conhecido como Pitu, de 87 anos. Um dos associados mais experientes em atividade diária, Pitu está no pilates desde o primeiro dia e é referência em assiduidade: em 12 meses de projeto, faltou apenas três vezes. Sua evolução na postura, no equilíbrio e na caminhada é notável para todos no sindicato.

“Antes eu tinha uma certa dificuldade, agora eu estou melhorando bastante com os exercícios que estou fazendo no pilates. Eu estou trabalhando normalmente, como sempre, só que vem melhorando. As aulas são ótimas, o professor é maravilhoso, gente boa. Quando eu comecei, estava meio travado, agora, com a continuidade das aulas, estou me sentindo bem mais solto nos meus afazeres”, relata Pitu.

Aos 70 anos, Feliciano Estadeus dos Santos segue na ativa e vive uma rotina parecida de renovação. Ele conta que chegou bastante debilitado e sentia dores fortes ao executar o trabalho pesado no Porto de Capuaba.

“Percebi uma melhora para trabalhar, mais disposição, mais vontade, mais ânimo. As aulas são excelentes. Antes eu estava meio derrubadinho, sentindo dores. Eu trabalho em Capuaba e quando eu pegava aquelas varas para fazer peação de contêiner, sentia dores nos braços, nas pernas, para subir escada. Agora, graças a Deus, estou bem melhor, sentindo firmeza”, afirma Feliciano.

Aos 57 anos, o estivador Epio Meireles de Souza reforça como o programa preencheu uma lacuna na rotina desgastante do trabalhador portuário, unindo o cuidado com o corpo e a mente:

“Só tenho a agradecer por essa oportunidade que o sindicato deu. Eu estava numa fila de espera, chegou minha vez. A gente vai chegando a uma certa idade e começa a sentir os efeitos do tempo. É muito importante ter essa condição de melhorar no aspecto físico e na mente também. Na correria de embarque e desembarque, a gente não tem tempo para academia. A diretoria acertou na mosca em oferecer esse espaço dentro do sindicato”, avalia Epio.

Ele ainda destaca a transformação na sua rotina de bordo e elogia a condução técnica do projeto: “Eu sinto que melhorei bastante na questão da mobilidade. Estava com dificuldades no porão, com limitações de movimentação e dores nas costas e na coluna, com dificuldade para abaixar e pegar peso. Hoje sinto uma diferença enorme. O professor Herwen é um profissional excelente, muito competente, bacana e que cobra a gente na hora dos exercícios. Foi uma conquista que a categoria realmente precisava, e espero que o projeto possa se expandir cada vez mais para atender ainda mais companheiros.”

Ao completar 365 dias de impacto direto na vida dos associados, o pilates do Programa Viva Bem Estiva se consolida como um divisor de águas na promoção da saúde, provando que prevenir lesões e cuidar do corpo é o caminho mais inteligente para garantir longevidade, força e dignidade no trabalho portuário.