Comitiva capixaba reforça defesa por prevenção, estudos técnicos portuários e maior engajamento dos trabalhadores do cais.
A representatividade e a força dos trabalhadores portuários capixabas ganharam destaque durante o 2º Encontro Nacional dos Cipeiros e Cipeiras, promovido pela Fundacentro, em São Paulo, no último dia 29. A delegação do Espírito Santo participou ativamente das discussões centrais sobre saúde, segurança do trabalho e a urgência do fortalecimento das ações de prevenção nos portos do país.
O encontro reuniu lideranças das principais centrais sindicais brasileiras — CTB, CUT, Força Sindical, Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) —, além de dirigentes do DIESAT, DIEESE, membros da Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP).
Representando a estiva capixaba estavam o diretor do Sindicato dos Estivadores e secretário de Saúde do Trabalhador e Segurança no Trabalho da CTB-ES, Fábio Gama; o estivador e membro da Comissão de Prevenção de Acidentes e de Assédio do Trabalho Portuário (CPATP) do Ogmo-ES, Renan Almeida; e o presidente desta comissão, o conferente Rafael Freitas. A delegação de portuários contou ainda com a presença do estivador e presidente da CPATP do Ogmo de Recife, Alexandre Oliveira (Tubarão).
O diretor Fábio Gama participou da mesa de abertura e aproveitou o evento para fortalecer parcerias estratégicas entre a Fundacentro e os trabalhadores dos portos.
“Temos um histórico de pesquisas técnicas voltadas à realidade operacional dos portos do Espírito Santo — demandas que se acumulam há mais de 15 anos, desde a redução da sede regional do órgão em Vitória para uma sala com apenas três funcionários. Iniciamos também uma aproximação positiva com o DIESAT, visando futuras parcerias para fortalecer a presença e atuação de trabalhadores portuários nos ambientes de participação e controle social e saúde do trabalhador ”, destacou Fábio Gama.
Estatísticas epidemiológicas e previdenciárias indicam relevância nos casos de lesões osteomusculares, fraturas e contusões resultantes do manuseio de cargas pesadas e operações com maquinário pesado, além da crescente incidência de transtornos mentais associados ao estresse do ambiente operacional.
Esses indicadores reforçam a relevância do debate para além dos riscos físicos — há também a necessidade de se verificar a implementação de medidas contra o assédio organizacional no cais, aspecto importante apontado por Renan Almeida.
“Muitas vezes, o problema não está apenas no comportamento de uma pessoa, mas na própria organização do trabalho: pressão constante, regras que mudam sem ouvir os trabalhadores e ambientes de risco. Isso impacta a saúde dos trabalhadores portuários e precisa estar presente no planejamento do trabalho”, destacou Renan.
A diretoria do Sindicato dos Estivadores ressalta que a proteção da vida e da integridade física nos portos exige o engajamento contínuo de toda a categoria. As CPATPs funcionam como ferramentas ativas de transformação, mas sua eficácia depende do acompanhamento diário de quem está na ponta da operação.
Por isso, em situações de risco iminente, falhas em equipamentos, falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) ou Coletivos (EPC) e práticas de assédio devem ser imediatamente notificadas e denunciadas às representações dos trabalhadores e à CPATP e demais órgãos.
“A participação da categoria é indispensável. Quem vive o trabalho no dia a dia conhece os riscos, identifica os problemas e ajuda a construir soluções. Uma CPATP forte depende da participação dos trabalhadores. Segurança e saúde no trabalho não são favores; são direitos que precisam ser defendidos coletivamente”, finalizou Renan Almeida.